Os Estados de Ego

Tempo de leitura: 4 minutos

A personalidade humana não é uma unidade, mas sim vários segmentos, onde cada uma é usada para diferentes propósitos. O termo dissociação é a defesa primária de estresse pós-traumático e define sistemas ou ideias que se encontram em “não associação” com outras ideias da personalidade.

Existem formas claras que estes que padrões de dissociação de personalidade se formem e existam subconscientemente, criando o que chamamos de estados de ego e as vezes não aparecendo para observação consciente. Um estado de ego pode ser definido como um sistema organizado de comportamento e experiências cujos elementos estão ligados por um princípio comum, e que estão separados de um outro estado por um limite permeável. Quanto mais permeável é o limite de separação dos estados de ego mais saúde mental existe. Quanto mais separado e impermeável estas barreiras ou limites mais dissociação ocorre.

 

O DDI Desordem Dissociativa de Identidade

 

Todos nós conhecemos na pratica clinica de nosso consultório um tipo de cliente muito específico que tem história de anos de psicoterapia com pouco progresso, que colheram muitos diagnósticos diferentes ao longo dos anos, com história de muitas internações psiquiátricas com diagnósticos diferentes. É um cliente difícil e pouco reativo a terapias tradicionais.

Estes pacientes têm o que chamamos de Transtornos Dissociativos ou a Desordem Dissociativa de Identidade. Muitos destes casos nos chegam parecendo ser uma depressão, acompanhados pelos sintomas de fobia e/ou pânico e com histórico de abusos (sexual, mecânicos, perdas etc.) na infância. Muitas vezes foram abusados por seus cuidadores (pais/pessoas mais velhas), e têm receio de cuidadores (profissionais da saúde). Assim, se tornam rudes e difíceis no trato; sempre mais céticos quanto as intenções de quem está cuidando. As vezes aparecem como grande drogados, obesos mórbidos, entre outros.

 

Como se formam estes Estados de Ego

Parece que no momento do trauma, o stress é maior do que a criança pode suportar, o próprio trauma congela a pessoa, ocorrendo a dissociação, congelando a parte infantil que reaparece durante a vida de forma dissociada da consciência. Já no caso do adulto quando ele entra neste estado de congelamento e dissociação do estresse pós- traumático, fica aprisionado, muitas vezes para o resto da sua vida, porém outra parte dele fica antenada a qualquer coisa que sirva de gatilho disparador.

A característica essencial do Transtorno Dissociativo de Identidade é a presença de duas ou mais identidades ou estados de personalidade distintos, que se alternam assumindo o controle do comportamento. Existe uma incapacidade de recordar informações pessoais importantes, cuja extensão é demasiadamente abrangente para ser explicada pelo esquecimento normal.

Estes clientes passam anos sem um diagnóstico correto dentro do sistema de saúde mental. Mudam de terapeuta e de medicamento, e os sintomas tratados apresentam um pequeno ou nenhum progresso terapêutico.

 

O que é Terapia dos Estados de Ego

A grande dissociação e a Desordem Dissociativa de identidade pedem uma redefinição da pratica para além da estrutura básica. O trabalho é feito inicialmente com as partes internas do cliente promovendo comunicação entre elas. A comunicação entre as partes dissociadas coloca em movimento os processos paralisados.

Shakespeare falou que: “a falha não está nas nossas estrelas, mas em nós mesmos”. É uma intuição profunda. A psicologia fala o mesmo: o que você sente com os eventos de sua vida vem de você. A crença de que aquilo que sentimos se baseia nos eventos da vida é um engano. Acontecimentos, fatos, desempenham papel de desencadeadores de nossas reações. No fundo, o que nós sentimos baseia-se nas nossas reações aos eventos da vida.

No trabalho terapêutico trabalhamos com partes, abordando os diversos “Estados de Ego”, fazendo uma conexão saudável entre eles. E por fim trabalhar através do uso de congelamento de imagens o trauma que se encontra na raiz dos sintomas.

Esta abordagem também se torna muito útil na terapia convencional, podemos utilizar dela com sintomas e problemas normais dos nossos clientes.

Fonte – Terapia de Estados de Ego – Apostila de curso – Gastão Ribeiro – 2008

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *